7 de maio de 2026

Após três anos de espera e R$ 100 milhões mais cara, ponte começa a sair do papel

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro (PL) e do Paraguai, Mario Abdo Benitez, dão início nesta segunda-feira (13) a um projeto que teve início na metade da década passada e que tem o objetivo de facilitar a ligação entre o Brasil e o Oceano Pacífico, e colocar “no mapa”, a região sudoeste de Mato Grosso do Sul e o chaco paraguaio. 

Com a demora na execução, a ponte da Rota Bioceânica, que foi autorizada em 2018, já ficou mais de R$ 100 milhões mais cara.  

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), também participará da cerimônia agendada para hoje, às 9h. 

A ponte que liga Porto Murtinho à Carmelo Peralta é cercada de grandes expectativas para os dois lados do Rio Paraguai. 

Do lado brasileiro, a obra tem objetivo de consolidar – de uma vez por todas – o projeto de transformar Murtinho em um hub logístico rodoviário e hidroviário.

Do lado paraguaio, inicialmente a busca é por mais emprego e mais infraestrutura para o pequeno município de 5 mil habitantes. 

Conforme reportagem do jornal paraguaio ABC Color publicada na semana passada, a população de Carmelo Peralta ainda clama por estabilidade no fornecimento de energia e um fornecimento regular de água e esgoto tratados.

OBRA

A obra da ponte entre Brasil e Paraguai será bancada integralmente pela Itaipu Binacional. 

E desde que foi lançada em 2018, já ficou US$ 18 milhões (R$ 100,8 milhões)  mais cara, tendo aumentado de US$ 65 milhões para US$ 83 milhões, conforme informações do diretor paraguaio da Itaipu, José Maria Caceres.

A ponte, cuja pedra fundamental será lançada do lado paraguaio, será do tipo estaiada, terá 680 metros de extensão, mais de 100 metros de altura e viadutos de 150 metros em ambas as cabeceiras, com pilares a cada 30 metros antes do vão principal.

A obra será executada por um consórcio binacional composto pelas paraguaias Tecnoedil Construtora e Cidade Ltda., além da brasileira Paulitec Construções.

No Chaco Paraguaio, a pavimentação da rodovia entre Carmelo Peralta e a cidade de Loma Negra, já se encontra em estado adiantado. 

Do lado brasileiro, embora existam emendas parlamentares asseguradas, a licitação para a construção da via de acesso entre a BR-267 e a nova ponte, ainda não ocorreu.

A única obra em execução em Porto Murtinho é bancada pelo governo de Mato Grosso do Sul: trata-se da ligação da BR-262 com os terminais de grãos, ao sul da zona urbana do município. A nova ponte ficará ao norte da cidade.

POLÊMICA

Embora tudo terá ares de festividade no lançamento da pedra fundamental da ponte sobre o Rio Paraguai, Brasil e Paraguai esperam decidir nos próximos dias, uma negociação repleta de impasse. 

A expectativa é que Bolsonaro e Mario Abdo Benitez ponham fim a um impasse sobre a tarifa que o Brasil paga pelo excedente gerado por Itaipu: o País fica com 90% da energia que pertence ao lado paraguaio da usina hidrelétrica.

Enquanto o governo brasileiro quer reduzir o custo do kw/h a US$ 18,95 mês, o governo paraguaio pretende manter o valor atual, de US$ 22,60 mês. 

A venda do excedente gerado por Itaipu está entre as maiores fontes de arrecadação do governo do Paraguai.

A construção da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, e de uma segunda ligação de Foz do Iguaçu (PR) com o país vizinho, integram um acordo de integração que teve início em 2018 entre os dois países. 

A ponte entre Foz e Presidente Franco, sobre o Rio Paraná, porém, está 70% avançada, enquanto a estrutura a ser construída sobre o Rio Paraguai, ainda não saiu da pedra fundamental.

INVESTIMENTOS

Conforme adiantou o Correio do Estado na edição de 4 de dezembro, a indefinição da Rota inviabiliza o desenvolvimento esperado por Porto Murtinho.  

Segundo o prefeito de Porto Murtinho Nelson Cintra (PSDB) o início da construção da ponte é o pontapé para o desenvolvimento. 

“Temos recebido muitas visitas de empresários com planos para se instalar na cidade. Mas o que jogou um balde de água fria no empresariado é essa questão da ponte.” 

“Era para ser licitada no ano passado, já vai fazer um ano. Eu acredito que dada essa ordem de serviço vai dar uma esquentada de novo no mercado e os empresários vão acreditar mais”, disse.

O objetivo é que o corredor rodoviário entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile  interligue os oceanos Pacífico e Atlântico. 

Conforme estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), os custos para o envio da produção sul-mato-grossense serão reduzidos, além do tempo de viagem, que será encurtado em 17 dias rumo ao mercado asiático.

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