O ex-senador e atual presidente do PTB em Mato Grosso do Sul, Delcídio do Amaral, criticou a postura dos filiados da executiva nacional e reforçou o seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Mesmo após a divulgação de carta do dirigente geral da legenda, Roberto Jefferson, que expressava descontentamento com as ações de Bolsonaro em relação à sua prisão – oficializada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após as acusações de que Roberto Jefferson seria membro de uma organização criminosa que divulga notícias falsas contra o STF.
Sem nominar pessoas, Delcídio afirmou que a carta foi vazada e tinha o intuito de estremecer em relação entre Jefferson e Bolsonaro.
Na carta, o ex-senador disse que um amigo fez um breve desabafo e que era um recado para um companheiro, no qual confiou suas palavras e desapontamento diante da situação vivida atualmente.
“Agiram de má-fé, ele confiou essa carta a um amigo e vazaram o conteúdo dela para abalar a relação, mas o presidente Jair Bolsonaro sabe que a mídia faz de tudo para transformar algo relacionado a ele em coisas negativas. Então nem levou isso em consideração ”, pontuou.
Questionado se tem preferência por algum lado, Delcídio disse que o ocorrido serviu para que todos os dirigentes estaduais e membros da executiva nacional reforçassem seu apoio a Bolsonaro.
“A carta foi vazada no mesmo dia em que os 27 líderes partidários dos estados participaram de uma reunião para estabelecer apoio ao presidente [Jefferson]. Uma correspondência particular foi vazada no mesmo dia desse evento e isso nos leva a acreditar que as brigas internas dentro do PTB causaram tudo isso “, frisou o ex-senador.
“A saída da Cristiane Brasil, do Oswaldo Eustáquio, entre outros […], tem o dedo deles nisso, exatamente porque a orientação da sigla é reforço o nosso apoio mesmo se ele [Bolsonaro] vier para o PTB ou não”, completou.
Carta
Em um trecho, Roberto Jefferson fala sobre o acolhimento dos feridos e como tem lidado com distanciamento do chefe executivo.
“O Bolsonaro, presidente da República, é homem honrado, mas não recolhe feridos. Nem sequer demonstrar solidariedade com seus combatentes. Fiz duas cartas para ele, nunca o PR mandou um cartão dizendo saúde, minha solidariedade. Pelo contrário, ele se distanciou de nós e manteve o silêncio obsequioso ”, comentou.
Mesmo diante da frustração de não ser correspondido, o presidente do PTB disse que continuará honrando os preceitos de “Deus, pátria e família” e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e Flávio Bolsonaro.
“Não tem mais meu coração. Tem o meu compromisso racional pelos credos de Deus, pátria e família. Lutarei por ele, mas não darei a vida por ele. Qual acordo pode fazer um homem cristão e honrado com um satanista abominável como o Xandão [ministro Moraes]? Deus não acorda com o satanás ”, explicou.
“O Flávio é a Cristiane Brasil do presidente. Eles [Bolsonaro e Flávio] são viciados nas facilidades que o dinheiro público traz ”, destacou.
Prisão
Roberto Jefferson (PTB) teve a prisão preventiva decretada em agosto deste ano, após a ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes. O parlamentar é acusado de integrar uma organização criminosa responsável por fazer ao STF e desestabilizar, com notícias falsas, uma democracia.
A prisão foi decretada após o resultado das investigações da Polícia Federal, que mirou em produção, publicação e financiamento de conteúdo antidemocrático.
Entre os personagens que integram a investigação, Zé Trovão é um deles e estava foragido, mas se entregou à polícia na semana passada, em Santa Catarina. Outro que também esteve na mira do Supremo foi o cantor Sérgio Reis.
O presidente do PTB foi preso preventivamente em 13 de agosto e encaminhado ao presídio Bangu 8. No dia 25 de agosto, a Procuradoria-Geral da República recebeu a Moraes uma denúncia contra o ex-deputado por supostamente impedir o livre exercício dos Poderes, incitado crimes contra segurança nacional e homofobia.

