25 de setembro de 2026

Número de testamentos e doações cresce em Mato Grosso do Sul

O número de testamentos registrados em Cartórios de Notas em Mato Grosso do Sul surgiu durante uma pandemia. 

Nos quatro primeiros meses deste ano, o número de registros foi 18% maior que o mesmo período do ano passado. Agora, se comparado ao ano anterior à pandemia, esse aumento foi de 28%.

Em 2021, de janeiro a abril, foram registrados 104 testamentos, enquanto que em 2020 este número foi 88 e em 2019, 81.

Os dados são da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso do Sul (Anoreg), que também apontam um aumento no número de doações e partilhas.

Para o diretor da Anoreg, Leandro Corrêa, a gravidade do vírus fez com que as pessoas se preocupassem mais com o planejamento sucessório. 

“Nós aumentamos um aumento e não tenho dúvidas de que isso é um reflexo da pandemia. A morte foi um assunto muito falado nesse último ano, e isso aqueceu a demanda ”, ressalta Corrêa.

Doações

O número de doações foi o que mais aumentou durante uma pandemia. Em março de 2020, quando Mato Grosso do Sul começou a registrar os casos da Covid-19, foram produzidos 161 doações. 

O número é 98% maior se comparado ao mesmo mês de 2019. Para o diretor, os dados mostram a preocupação com o futuro das famílias e patrimônios. Com isso, as pessoas passaram a conversar mais sobre a morte, fazendo então os planejamentos. 

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“Doar um imóvel em vida custa metade do que deixar o bem ir para inventário, isso é se planejar, e como as pessoas fizeram a fazer isso. Tivemos uma demanda realmente muito grande nesse período justamente por isso ”.

Mato Grosso do Sul é um estado com grandes propriedades rurais, que de acordo com Leandro Corrêa pode custar séculos de militares de reais em impostos.

Com uma transação, o doador tem o direito sobre o bem até sua morte. Segundo Corrêa, fale sobre a morte e planejar o futuro não é um hábito dos brasileiros, que, na maioria das vezes, deixa que tudo se resolva no inventário. 

“A demanda por testamento é algo interessante. O Brasil não gosta de pensar na morte, mas a pandemia mudou isso. Isso é cultural. Quanto ao testamento, ele é geralmente feito quando há intenção de não tornar a decisão pública ”, ressaltata. 

Para o tabelião, houve também o aumento na busca por orientações, principalmente para os mais idosos, no início da pandemia, quando era o grupo mais letal do vírus.

A preocupação é que os encaminhamentos sejam corretos e que as vontades sejam cumpridas em caso de morte, evitando disputas entre familiares no futuro. 

A estudante Giovanna Oshiro, 21 anos, perdeu a mãe por complicações a Covid-19, no dia 11 de abril. A mãe da jovem, Adriana Lisboa Corrêa morreu com 45 anos, depois de cinco dias internada em um hospital particular da Capital.

Com a morte inesperada, os bens de Adriana foram para inventário, e a filha tem lidado com toda a burocracia necessária. 

“Essa é uma situação muito difícil, porque, além de estar passando pelo luto de ter perdido a minha mãe, tenho de lidar com essa parte mais jurídica, burocrática”, afirma Giovanna.

O inventariante tem um papel muito complexo e até mesmo caro, por isso Oshiro buscou ajuda na Defensoria Pública para orientações do processo. Com a pandemia, o sistema público se tornou mais lento, e de acordo com ela só foi possível, fazendo um agendamento no órgão depois de um mês do falecimento da mãe.

“A lista de documentos é muito grande, e o inventariante precisa lidar com todas as etapas. Todo mundo me fala que é um processo difícil e demorado, e estou fazendo tudo sozinha. A ajuda que tenho é da minha avó e dos meus tios ”, completa.

O crescimento pela procura do planejamento e orientações, que teve início em março, ganhou força após disponibilização de plataforma digital que permite realização por videoconferência.

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