Após lançar candidatura independente à presidência do Senado, Simone Tebet (MDB) anunciou ontem que a análise se ainda continua na legenda, depois de perder o apoio do partido na eleição da Casa de Leis. Uma legenda decidiu liberar uma bancada em troca de cargos na Mesa Diretora e nas comissões do parlamento.
A “traição” não foi encarada de forma passiva pela parlamentar, que deixou clara a sua indignação ao frisar que vai avaliar se permanece no MDB até a próxima janela partidária, em março.
“Eu nasci no MDB em razão da história que meu pai [Ramez Tebet] teve dentro dele. Este partido ao qual pertenço ainda existe e é muito maior do que as lideranças que nele estão inseridas. É a legenda com o maior número de filiados e de prefeitos e prefeitas, entre outros cargos políticos no País. Enquanto eu acredito no Movimento Democrático Brasileiro, eu estarei nele ”, explica Simone Tebet.
A senadora ressaltou que sua permanência depende de políticas regionais. “Após esse impasse, eu agora passo a questionar minha permanência no MDB. Se continuarei, vai depender muito mais de políticas regionais do que de nacionais ”, afirma.
A senadora é tida como um dos nomes fortes para uma disputa do governo de Mato Grosso do Sul em 2022. Ou seja, a escolha dela em permanecerá nenhum MDB dependente de como será a articulação local para essa possível candidatura.
CRÍTICA
A mudança de postura dos caciques emedebistas em relação à candidatura de Tebet se deve muito às investidas do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em busca de apoio a seu candidato, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O senador amapaense tem negociado pessoalmente com as cargas do MDB na Mesa Diretora e no comando de comissões importantes.
A senadora criticou as atitudes do atual presidente da Casa e afirmou que ele, desta forma, rompe um dos acordos firmados há dois anos, durante a eleição em que saiu vitorioso. Na época, um parlamentar resolveu tirar sua candidatura para que Alcolumbre tivesse mais chance de vencer o pleito.
Tebet afirmou ainda que um dos acordos seria que o parlamentar do DEM se compromete a trabalhar pela independência da Casa, também que Tebet avalia estar em risco. “O Senado deve ter sua independência, não pode ser apenas um apêndice do Planalto. Essa equivalência entre os Poderes foi extremamente importante para o País, pois a Casa foi a porta de saída em diversas crises que ele atravessou. Portanto, nessa [crise] atual que vivemos, uma das mais graves da história de nossa República, é fundamental que os Poderes se mantenham dentro de suas prerrogativas de independência ”, alerta.
INFLUÊNCIA
A influência do Planalto na disputa pela presidência nas duas Casas do Congresso Nacional é alvo de críticas de analistas políticos, bem como aqueles candidatos que não têm a preferência do governo federal. Segundo a senadora, ela decidiu se colocar na disputa porque muitos estudantes nela a única figura que poderia vencer a pesada concorrência. Porém, com o tempo, a ideia pais apoiadores mudou.
“Quando meu nome foi ventilado, um senador do PSDB me ligou e afirmou que muitos falavam que eu era uma única parlamentar capaz de conseguir votos dissidentes de partidos que fechariam acordos. Porém, houve muitos companheiros que mudaram de opinião, espero que por opção ideológica, embora tenhamos percebido sinais e ouvido de parlamentares que existe, sim, esse jogo pesado por parte do governo federal.

