7 de maio de 2026

Polícia Federal estuda criar força-tarefa contra PCC em Mato Grosso do Sul

Nomeado oficialmente nesta quinta-feira (3), mas em atuação há mais de mês, o novo superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, delegado Marcelo Correia Botelho, tem no combate ao sanguinário e milionário PCC (Primeiro Comando da Capital) um foco importante de sua gestão na corporação responsável por investigar crimes como tráfico de drogas, de armas, contrabando e lavagem de dinheiro.

O Estado, cita, é ponto nevrálgico no País por fazer fronteira com dois países, Paraguai e Bolívia, e ser caminho para os grandes centros, além de ter se configurado-se em área de forte atuação da facção surgida em presídios paulistas.

Em entrevista ao Campo Grande News, Botelho relatou estar em “fase adiantada” a elaboração de minuta de cooperação técnica entre órgãos de combate ao crime para ofensiva coordenada contra o maior grupo criminoso hoje no País e no Estado, ordenando e executando ações ilegais dentro e fora das cadeias, de assaltos a execuções sumárias e cruéis.

A ideia é montar  força-tarefa local contra o PCC, com a participação de “todos que tenham a contribuir”, como resumiu o superintendente.

Nesse todos, o superintendente inclui a própria PF, a Polícia Civil, a Agepen (Agência de Administração do Sistema Penitenciário), o Depen (Departamento Penitenciário Nacional),  a PM (Polícia Militar) como exemplos das instituições que podem trabalhar com objetivo específico de quebrar a estrutura altamente organizada e diluída do PCC.

A integração é a palavra de mote hoje para conseguir êxito no combate às organizações criminosas”, observa, ao comentar que já existe trabalho nesse sentido, que dá para ser aperfeiçoado.

Por que? – De um lado, avalia, a Polícia Federal tem a facilidade de capilaridade, de estar presente em todo o País e de ter reunido informações em grande volume sobre a ação fora da lei dos integrantes do PCC. De outro, alerta, há dados de outros órgãos, que podem ser agregados em um movimento de combate mais sintonizado.

“Nós temos propostas de integração para gente buscar esses outros dados que estão disponíveis nos outros órgãos e então coordenar as ações”, raciocina.

Evidentemente que informações isoladas, sem os dados  dos órgãos que atuam regionalmente, como a Polícia Civil e as agências penitenciárias, são insuficientes. Então nós temos integrar esses órgãos de segurança pública”, comenta.

Essa não é uma fala nova em termos de segurança, mas segundo o superintendente, existe planejamento para colocar em prática de forma efetiva.

“Hoje já existe de forma incipiente, mas nós queremos organizar e formalizar essa força tarefa”.

Botelho não fala em prazo. Recém chegado para comandar a PF no Estado, afirma que é preciso visitar os comandantes dos órgãos e fazer a gestão para colocar em prática o acordo de cooperação.

Para o delegado, a preocupação voltada à máfia criada nos presídios de São Paulo e espalhada para o resto do Brasil se justifica em vários aspectos. Um deles é a internacionalização.

Os dados de inteligência apontam que o PCC chegou na fronteira, com atuação em outros países. Então o PCC é uma preocupação”, afirma.

Investida – A facção domina os presídios no Estado, mata pessoas do lado de fora conforme regras próprias de justiçamento, além de manter rede de laranjas para dar suporte financeiro aos “irmãos”, como são chamados os faccionados. De agosto para cá, foram duas ações para enfraquecer essa estrutura, uma de âmbito estadual e outra nacional, desencadeada pela PF.

Liderada pela superintendência de Minas Gerais, essa ação ocorreu no Distrito Federal e em 19 estados, entre eles Mato Grosso do Sul. Conseguiu, conforme Botelho, identificar o caminho do dinheiro sujo e identificou bens adquiridos com o dinheiro crime, para enganar as autoridades e sustentar a engenharia da ilegalidade.

Essa ocultação de bens patrimoniais é necessária para a organização continuar tendo força de capital, não somente para continuar gerindo a sua atividade criminosa, como também para obter a captação de novos membros”, diz.

Atuar na descapitalização é, em última análise, o caminho mais “técnico” para frear o avanço da “orcrim”, termo jurídico para organização criminosa, defende o superintendente.

Currículo – Marcelo Botelho tem 47 anos. Está na corporação desde 2002, quando passou no concurso para agente. É delegado desde 2007, com passagens por Mato Grosso do Sul chefiando delegacias especializadas em duas ocasiões, entre 2007 e 2015.

Foi diretor do Presídio Federal de Segurança Máxima em Campo Grande no ano de 2014.

Agora, antes de ser nomeado para chefiar a Polícia Federal no Estado, estava nomeado em Tocantins.

– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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