Situação de Eldorado transforma-se em estudo nacional do zoneamento de risco climático para melancia

Em novembro de 2019, a Semagro-Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura do Mato Grosso do Sul foi convidada pela prefeitura de Eldorado, para, diante das dificuldades que produtores de melancia estavam enfrentando com a atividade, colaborar para amenizar a situação.

O problema era a impossibilidade de acesso ao crédito rural e ao seguro rural, devido ao período de plantio da cultura no município, ou seja, por ocorrer fora do calendário oficial do Zoneamento de Risco Agrícola – ZARC publicado pelo MAPA e elaborado pela Embrapa. E, em segundo, problemas fitossanitários que dizimou lavouras com as chuvas de setembro e outubro de 2019, na região.

Participantes da reunião (Nov/19) organizada pela Prefeitura e Agraer

A Semagro representada pelo Superintendente Rogério Beretta e o Coordenador de Agricultura Fernando Nascimento. A Agraer esteve presente com sua equipe local, Gestores de Desenvolvimento Rural Emerson Bispo e Priscila, os pesquisadores Rogério Franchini e Olita Salati. Também foram convidados pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz, Valder Nunes, Éder Comunello, além de doze produtores locais. O Diretor de Agricultura Luiz Carlos e Auro Trento, Secretário de Desenvolvimento Econômico também estiveram presentes, juntamente com vereadores, prefeito e a vice.

A fruta em Eldorado

O município que já plantou cerca de 1.000 hectares da fruta, atualmente, cultiva uma área de aproximadamente 435 hectares. Ano passado, a área plantada girava em torno de 600 hectares.

O município cultiva melancia há vários anos com grande sucesso. O plantio ocorre de junho a setembro e é colhida em novembro/dezembro, antes da produção de outros estados colocarem suas produções no mercado, obtendo-se com isso bons preços.

Encaminhamentos

Após duas horas de discussões, chegou-se à conclusão que a Embrapa com apoio da Semagro, Agraer, prefeitura e produtores deveriam testar épocas de plantios para proporem ajustes no ZARC para Mato Grosso do Sul.

A equipe da Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados elaborou um projeto para fazer o estudo que se transformou em uma pesquisa do ZARC da Melancia para todo Brasil.

Ficamos felizes em saber que a demanda chegada à Semagro está sendo atendida e, certamente, o encaminhamento dado irá contribuir para a adoção de novas tecnologias e informações, reduzindo incertezas e possibilitando acesso ao crédito rural e ao seguro agrícola”, destaca o Superintendente da Semagro Rogério Beretta.

O Diretor-Presidente da Agraer André Nogueira comenta: “A Agraer é a mão amiga do Governo do Estado junto ao produtor de alimentos que vão diretamente para mesa da população, por isso, a Instituição sempre que for procurada, estará pronta para colaborar”.

A Pesquisa

A análise inicia com as definições dos fatores de risco climático. A deficiência hídrica é o principal, mas não é o único. Após, são realizadas as simulações para todo o Brasil, utilizando a base de dados do ZARC. O processamento das simulações dura dois a três dias e é realizado em computadores potentes, instalados na Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP).

O Projeto analisa duas condições climáticas distintas: melancia clima quente e melancia clima ameno ou frio. A primeira condição climática se enquadra, principalmente, nas regiões tropicais do Brasil, enquanto a segunda é típica dos meses de outono e inverno do centro-sul do país.

Dr. Ricardo comenta: ”Já realizamos a simulação da melancia clima ameno ou frio, estabelecendo como fatores de risco a ocorrência de geadas e de chuvas na colheita, além da deficiência hídrica. Estamos considerando também dois sistemas de cultivo: sequeiro e irrigado, que elimina o risco de deficiência hídrica. Os resultados para Mato Grosso do Sul foram satisfatórios. Teremos nos próximos dias uma reunião virtual com a participação da equipe local e técnicos da Agraer para análise e discussão desses resultados”.

Antes do envio dos resultados ao Mapa, serão feitas reuniões de validação (RV) com representantes do setor produtivo (produtores, assistência técnica, etc.).

A RV em MS deverá ser a primeira. O ideal será fazer uma reunião presencial. Caso não seja possível, devido à pandemia, teremos de fazer uma reunião virtual, o que é mais complicado. De qualquer forma, essa reunião deverá ocorrer no, máximo, até o final de setembro”, finalizou Dr. Ricardo.

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