Adotado por cidade de 46 mil moradores, lockdown não segura população em casa

Os comerciantes até que abriram mão da estratégia de venda considera mais eficaz, principalmente em cidade do Interior, a “porta aberta”, mas a população não tem resistido as “escapadinhas” pelas ruas de Aquidauana, distante 139 quilômetros de Campo Grande, mesmo sob mais de 72h de regime de lockdown.

Válida desde a última sexta-feira, a medida tem previsão de durar até a próxima sexta-feira e tem como objetivo conter o número de casos confirmados de covid-19, que chega a 53, e evitar mais mortes. O desafio, apesar da fiscalização da prefeitura, é fazer os moradores respeitarem o isolamento social. A estratégia é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a mais eficaz para conter a disseminação do novo coronavírus.

“A fila da Caixa Econômica hoje, por exemplo, estava lotada. Eles não estão tendo controle sobre isto. Tem comércio que está funcionando e não sei como está sendo esta tratativa nas ruas”, opinou.

Conforme o decreto, mercados e padarias, considerados serviços essenciais, estão autorizados a funcionar das 7h às 17h. Farmácias e postos de combustíveis podem funcionar 24h apenas para abastecimento de veículos.

Tais estabelecimentos, entrega Sueli Escobar, proprietária de um hotel no centro da cidade, se tornaram desculpa para sair de casa a qualquer necessidade mínima. “A população não vai respeitar se não tomar medidas drásticas. Não tem conscientização. Está tendo movimento do mesmo jeito”, afirmou.

Temorosa quanto a possibilidade de contágio, ela fechou o hotel e dispensou os funcionários para ficarem em casa até o fim do lockdown. “Os comerciantes, se ficar uma semana fechado, não vai ficar nem mais pobre, nem mais rico. O hotel já não tava como muito movimento desde o início da pandemia. Mas tem muita ganância em cima disso daí. Se abrir, coloca você em risco e ainda os funcionários”, opinou.

Apesar disto, a medida parece ter surtido efeito sob as taxas de isolamento da cidade. De acordo com monitoramento do governo do Estado, nesta segunda-feira, o município atingiu o 54,8%, enquanto a média de Mato Grosso do Sul foi de 47,3%.

Fechado apesar a insistência dos turistas – Destino quase obrigatório para os que gostam de trilha e estar em contato com a natureza, o distrito de Piraputanga, diferente da cidade, ficou realmente às moscas desde que o confinamento foi oficializado pela prefeitura, há quatro dias.

Há 14 anos proprietário de um restaurante no distrito, Ademir Cassaro, 51 anos, afirma que os turistas da Capital até insistiram, mas ele vai manter as portas fechadas até a próxima sexta-feira, conforme estabelecido em decreto.

“Vieram alguns [turistas] e viram que o cesso estava fechado. Mas foi mais gente que vinha de Aquidauana mesmo. Mas, muita gente de Campo Grande ligou procurando para saber se a gente tava trabalhando. Estamos falando para as pessoas não virem”, afirmou.

Além da entrada pela pela rodovia MS-262 ser interditado com a instalação de manilhas, o acesso ao Morro do Paxixi, um dos principais destinos turísticos da região, também foi fechado. Mesmo assim, a prefeitura registrou desrespeito aos obstáculos durante o final de semana.

Indígenas – O lockdown afeta principalmente o funcionamento da área urbana do município, no entanto, o que preocupa as autoridades é a disseminação acelerada do novo coronavírus entre os indígenas da região. São mais de 5 mil distribuídos em 10 aldeias, da região.

Até esta segunda-feira, Aquidauana registrava 447 casos confirmados de covid-19 e 15 óbitos, sendo 11 indígenas.

A Vigilância Epidemiológica Municipal informa que Aquidauana tem 38 pessoas já recuperadas da covid-19, 345 amostras para teste de coronavírus no Lacen (Laboratório Central) e ao todo 447 casos positivos, sendo 394 casos positivos ativos.

Das 394 pessoas positivas ativas, 18 pessoas estão hospitalizadas, sendo nove indígenas em leitos clínicos e seis não indígenas em leitos clínicos dos Hospitais Regional de Aquidauana e Cassems e mais três pessoas, sendo duas não indígenas e uma indígena nos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional. Dos 15 óbitos, 11 são de indígenas e quatro não indígenas.

– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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