Desembargador resgata memórias em livro sobre a história de Amambai

Nery saiu de Amambai, mas Amambai nunca saiu de Nery. Em 1999, quando deixou a cidade natal para morar em São Paulo capital, o magistrado levou consigo todas as memórias vividas e a vontade de reuni-las em um livro. “Che Tiempo Guaré” é o resultado dessas lembranças mescladas com as histórias, fruto de muito trabalho e pesquisa feita durante os último três anos. De São Paulo, o desembargador federal, Nery da Costa Júnior, hoje com 59 anos, conversa por telefone com o Lado B. “Sempre tive uma coisa comigo, que eu tinha que escrever, sempre me senti como se fosse um dever meu, de aproveitar minhas experiências, minha inspiração, e quem sabe até não seja uma arte também, não é?”

Ocupando a vice-presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região até março deste ano, o desembargador vinha quando possível para Mato Grosso do Sul, especificamente sua região, Amambai. E desde janeiro de 2017, junto de pesquisadores e jornalistas, colheu relatos de mais de 400 pessoas.

“Aquela região é, ao mesmo tempo, abençoada e extremamente rica, mas cujo povo passou por muitas dificuldades, e isso precisava ser demonstrado”, conta. Reunindo população indígena, a segunda maior do Estado, de guarani-kaiowá depois de Dourados, exploração de terra e mão de obra com a erva-mate e depois agropecuária com a migração de gaúchos, o livro aborda todos os aspectos.

Livro tem como prefácio frases do amigo e músico Moacir Saturnino, do Grupo Acaba: ” Nery, numa linguagem viva e emotiva, canta sua Amambai com todas as notas e dissonâncias, trazendo a nós o privilégio de contemplar esta sinfonia literária”.

Sem dar spoilers, Nery relata ter percorrido toda a política desde a criação do município de Amambai, fazendo uma avaliação crítica de todas as administrações. “E também como que nós, os amambaienses, agimos, nossa arte, nossa cultura, nossa história”.

“Che Tiempo Guaré” é uma frase que mistura espanhol e guarani, historicamente ligados, e que quer dizer, segundo o autor, “aquilo que se foi”. “É do nosso linguajar fronteiriço muito utilizado e que achei que moldava perfeitamente o que eu tinha que escrever e ficou, acabou criando personalidade própria”, fala sobre o título.

Os primeiros capítulos trazem as lembranças da infância do desembargador, passando por cinco personalidades que influenciaram Nery e chegando à unidade do Exército Brasileiro instalada em Amambai desde 1967, juntamente das comunidades indígenas Guarani-Kaiowá da região Sul do Estado.

Desembargador planejava festa para lançamento, mas pandemia mudou os planos e livro estará disponível para compra em site a partir do dia 30.

Com um glossário de mais de 400 itens, o livro também explica vocábulos de uso regional, o “amambaiês”, que além do significado, trazem também dados históricos acerca da origem das palavras.

Antes da pandemia, a pretensão era de lançar o livro com uma festa na cidade de Amambai, regada à música regional, e em Campo Grande e também em São Paulo, onde o desembargador reside até hoje. No entanto, os planos mudaram.

O livro será disponibilizado para compra a partir do dia 30 de julho, pelo site: chetiempoguare.com.br.

– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here