9 de outubro de 2026

Farmácias de manipulação podem fazer álcool em gel, mas sofrem com falta de insumos

Até as farmácias de manipulação sofrem para atender à demanda de clientes em busca de álcool em gel em Campo Grande. Esses estabelecimentos podem fabricar o produto, mas faltam insumos essenciais nesse processo, especialmente o polímero usado para dar o aspecto gelatinoso da mistura.

Tamara Zorzi, diretora da Associação das Farmácias Magistrais de Mato Grosso do Sul (Anfamag), diz que alguns locais ainda têm estoque, mas a procura tem sido altíssima. “Somente na manhã desta quinta-feira (19) atendi umas 50 pessoas pelo WhatsApp e telefone”, comentou ao Correio do Estado.

Segundo ela, nenhum dos fornecedores do polímero tem o produto para vendê-lo. “O álcool também está difícil de achar para utilizarmos na manipulação”, explica.

RISCOS DO PÂNICO

Com a ampla divulgação do uso do álcool em gel como forma de prevenir contágio pelo novo coronavírus, a população tem sido exposta a produtos clandestinos ou vendidos de maneira inadequada.

No começo da semana, agentes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), em ação conjunta com a Coordenadoria de Vigilância Sanitária de Campo Grande, fecharam uma empresa que fabricava álcool em gel (70%) sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Todo o processo era feito em condições precárias.

Além disso, o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado (CRF-MS), Flávio Shinzato, também afirma que existem pessoas vendendo não apenas o produto, mas também máscaras de proteção em semáforos, contrariando todas as normas de armazenamento dos itens.

“O álcool em gel é um produto que precisa ser armazenado e conservado em lugar fresco e arejado. Já é um agravante, por exemplo, a venda ao ar livre sem esse controle, alterando o produto que já pode ser de origem obscura, adulterado, sem comprovação científica da ação degermante”, afirma.

Além disso, comprar o item fora de um estabelecimento prejudica o consumidor de buscar seus direitos em caso de fraude.

“Vou reclamar para quem, se não é um estabelecimento regulamentado como uma farmácia, que tem um responsável técnico, um farmacêutico, que faz todo o controle de estoque das mercadorias, de validade e embalagem. Ou seja, que garante que o produto chegue ao consumidor com a melhor qualidade e da melhor forma possível?”, questiona Shinzato.

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