Aqui, o resultado ficou acima da média nacional, de 34% de donas de negócios. Conforme o relatório especial “Empreendedorismo Feminino no Brasil”, de março de 2019, após Mato Grosso do Sul, estão empatados em segundo lugar Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Norte, todos com 36% de empresárias.
A empresária Mariana Matta, 38 anos, é uma das que ajudam a engordar este porcentual. Há mais de dois anos, ela trocou as frustrações e doenças decorrentes de uma rotina de trabalho tóxica para se tornar dona de negócio em que administraria as coisas do seu jeito. Arriscou e negociou a compra de um lar para idosos. “Nunca tinha administrado nada na vida, mas aceitei o desafio”.
Enfermeira, ela relata que, embora a profissão seja formada predominantemente por mulheres e a função de cuidado estar historicamente associada à imagem feminina, os ambientes em que trabalhou anteriormente sempre se mostraram mais favoráveis aos homens. “Eles sempre se desenvolviam de forma financeiramente melhor que a gente e a maneira como eram tratados era diferente”.
Em contrapartida, Mariana priorizou equipe 100% feminina quando resolveu administrar o próprio negócio. A escolha exigiu ajustes na rotina da empresa em decorrência da dupla jornada feminina. “Elas podem, por exemplo, levar as crianças para o trabalho quando for preciso. Porque eu sei como é isso”.
Mesmo assim, a empresária relata ter enfrentado dificuldades relacionadas ao fato de ser mulher. “Muitas vezes a gente é tapeada. A maioria dos prestadores de serviço, como pedreiros e encanadores, são homens e já tentaram enganar com preços”, relembrou. Até mesmo ciúmes do marido está entre os problemas elencados por ela na hora que a mulher deseja empreender.
Pesquisa – O estudo também mostra que a conversão de “empreendedoras” em “donas de negócios” é 40% mais baixa, quando comparado aos homens. Ou seja, há uma desistência maior pela parte feminina até o sucesso da empresa. Além disso, a proporção de negócios por necessidade é maior no grupo das mulheres, com 44%, contra 32%, no caso deles.
Fonte: Campo Grande News