3 de novembro de 2026

UFMS nega cota racial a estudante que fez escova, Justiça garante vaga

“Mãe, eu não vou passar, eles me olharam de um jeito esquisito”. Foi a primeira coisa que Aline Lopes disse à sua mãe quando saiu da sala da banca avaliadora de cotas raciais da UFMS, no dia 27 de janeiro. Sua alegria após o resultado do vestibular da UFMS, divulgado uma semana antes, começava a diminuir.

O ano anterior havia sido mais puxado que todos os outros do Ensino Médio. Estudante de escola pública, Aline sabia que precisava passar na Universidade Pública para garantir o sonho de cursar Direito. O pai, que recebe um salário mínimo e trabalha com serviços gerais, e a mãe, que complementa a renda da casa com bolos caseiros, ficaram orgulhosos da aprovação e sabiam que a filha ia ser aprovada. “Ela fez por merecer, pulou toda a adolescência, só estudava, estuda muito”, conta a mãe de Aline, Ana Rosa Medina, em lágrimas.

Três dias depois da banca, o resultado veio em letra maiúscula: NÃO VERIFICADO. Indicando que ela não foi considerada cotista racial pela banca. Não tinha os requisitos para ingressar na UFMS.

“Na hora eles pediram para ela soltar o cabelo, por que ela tinha feito (Escova) progressiva, perguntaram qual a razão de ela ter feito a escova, já que ela tinha se identificado como “parda” no papel. O meu cabelo também é alisado”, revela Ana Rosa. “Falaram que ela não é parda. Eu fiquei desesperada”.

A universidade avisou que Aline poderia ingressar com um recurso da decisão, que foi indeferido dois dias depois, já próximo da data da matrícula.

“Fui entender o que estava acontecendo. O rapaz de lá (da universidade) falou que eles são treinados e não tem erro. Ele disse que não valeria a pena recorrer “. Mesmo com as negativas, a família buscou a justiça para garantir a vaga da filha na universidade pública.

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