A chuva que alagou ruas e interditou vias em São Paulo (SP) e região já mostrou seus efeitos em Mato Grosso do Sul. Na Ceasa (Central de Abastecimento) em Campo Grande, compradores já sentiram a queda na qualidade dos produtos e fornecedores preveem alta nos preços.
A maioria dos comerciantes recebe as cargas as terças, quintas e sábados, vindas da Ceagesp (Companhia Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo), que foi tomada por enxurrada nessa segunda-feira (11). Segundo o Sincomat (Sindicato do Comércio Atacadista de Hortifrutigranjeiros e Pescados), que representa os fornecedores da capital paulista, toda mercadoria foi perdida.
Na Ceasa da Capital, a situação é tratada como princípio de desabastecimento. Os comerciantes ainda trabalham com o que armazenaram no sábado passado e tentam trazer produtos de hortes e produtores de outros estados, mas é quase certo, dizem, que será difícil manter os preços, mesmo que o abastecimento normalize na próxima quinta-feira.

“Estávamos esperando um caminhão cheio, com 15 toneladas de frutas, e não veio”, conta Alexandre Lindolfo, de 43 anos, vendedor de uma banca de frutas. Ele ainda tem produtos para comercializar, mas diz que as vendas já estão prejudicadas, “porque 90% do que vendemos aqui [no box onde trabalha], vem de São Paulo”. Maçã e pera são as frutas em falta.
Alexandre explica ainda que venda para mercados e sacolões do interior – São Gabriel do Oeste, Chapadão do Sul e Aquidauana. Ele acredita que estes clientes serão os mais prejudicados. “É um prejuízo total e com certeza o preço vai aumentar para o consumidor”.

