Entressafra e dólar alto elevam o custo de vida

Em novembro, vários itens apresentaram elevação de preços, como a carne, os combustíveis e o gás de cozinha. Nos próximos dias, o novo impacto na vida do brasileiro será o aumento do valor do feijão. Além de um movimento que leva a crer na alta da inflação, o custo de vida ficará mais caro nos próximos dias, apontam economistas.

O feijão, principalmente o carioca, teve valorização em todas as praças e a tendência é de nova alta. O preço do feijão-carioca está favorável para o produtor que já plantou e está prestes a começar a colheita, de acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). Os valores ao produtor subiram quase 50% em apenas um mês, para uma média de R$ 245 a saca em novembro, e estão quase 150% mais elevados do que no mesmo período de 2018, segundo os  dados do Ibrafe. O que é bom para o produtor não será recebido da mesma forma pelo consumidor.

A valorização para a comercialização do grão chegará às gôndolas dos supermercados em alguns dias. “Normalmente,  quando o preço sobe ao produtor, imediatamente o consumidor já sente esse reflexo. Por exemplo, a arroba do boi sobe, automaticamente os açougues já elevam o preço da carne.  Muito embora às vezes eles tenham estoque, eles aproveitam a oportunidade de mercado e já reajustam. O reajuste ao consumidor será imediato no caso do feijão. Muito em breve os consumidores perceberão nas prateleiras de supermercado esse aumento no preço do feijão”, contextualiza a economista.

O presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne (Assocarnes-MS),  explicou ao Correio do Estado que a formação do preço da arroba está tanto ligada à falta de animais no País devido a estiagem enfrentada quanto ao aumento da exportação para a China. “Se a gente for calcular os impactos na formação do preço da arroba e consequentemente do aumento da carne para o consumidor, a exportação para a China representaria uns 30%. Os outros 70% por causa da baixa oferta de animais principalmente por causa do período de estiagem”, explicou Sérgio Capuci.A arroba do boi apresentou grande valorização nos últimos dias. Em 15 de outubro a arroba do boi gordo em Mato Grosso do Sul custava R$ 155,50, conforme dados da Scot Consultoria. Nesta quarta-feira (27) a arroba está cotada a R$ 209,00, aumento de 34,40% em pouco mais de um mês, o que consequentemente elevou os preços nos açougues. A economista reforça que carne e feijão fazem parte da cesta básica do brasileiro e devem encarecer o custo de vida, a inflação e a compra mensal.

INFLAÇÃO

O dólar comercial fechou a cotação desta quarta-feira em R$ 4,25 e segue tendência de altas históricas atingidas na última semana. A alta da moeda americana frente ao real também impacta no custo de vida da população.  Conforme as indicações de mercado se a alta persistir e se transformar em tendência permanente, os efeitos podem ser mais amplos, como, por exemplo, na inflação e nos custos para as empresas. Além de refletir em elevação do preço dos combustíveis provenientes do petróleo.

Adriana ainda ressalta que o aumento do dólar vai elevar os custos dos produtos consumidos nesta época do ano. “O dólar em alta encarece os produtos natalinos, que em sua maioria são importados, e chegarão aqui com um valor muito maior. Além do custo básico, a ceia de Natal também será mais cara em 2019”, diz.

Pela segunda vez em uma semana a Petrobras aumentou o preço da gasolina nas refinarias. A elevação foi de aproximadamente 4%  nesta quarta-feira e teria sido feita por conta da valorização do dólar em relação ao real.  Na semana passada, a empresa já havia aumentado o preço do combustível em 2,8%.

Para a economista, a inflação ficará positiva não só no fim de ano, como nos próximos meses, somando todas as variáveis de aumento no preço do combustível, alimentos e a alta do dólar. “Teremos um final de ano de inflação maior e os demais meses pela frente também. É importante dizer que o próprio aumento da gasolina influencia no aumento dos alimentos. Ou seja, é um fator a mais para contribuir com o aumento da inflação. Subiu a gasolina, sobe transporte, frete e já é um fator que vai contribuir com o aumento da inflação”, ponderou Adriana.

De acordo com o economista Marcio Coutinho, todos os indicativos levam a crer que o custo de vida ficará mais caro, mas que não há motivos para ‘desespero’. “Com o aumento dos preços da carne, feijão e gasolina, certamente teremos um aumento da inflação e consequentemente do custo de vida. No entanto, a inflação deste ano deverá ficar em torno de 4%. Estes aumentos são consequências de situações  momentâneas. A carne está subindo em função do aumento na demanda pelo mercado externo. E o preço do combustível está diretamente relacionado , entre outros fatores, com o preço do dólar”.

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