7 de maio de 2026

Tensão na Bolívia leva incerteza a projetos em MS

O clima de incerteza na Bolívia com a renúncia do presidente Evo Morales também recai sobre projetos e contratos que envolvem o gás natural em Mato Grosso do Sul. O país vizinho passa por um “vácuo de poder” desde que a alta cúpula encabeçada pelo político socialista deixou o governo no domingo (10), diante da suspeita de fraude nas eleições.

Em Mato Grosso do Sul, existem operações já em funcionamento que dependem do gás natural fornecido pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Além de empreendimentos como a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas, e a empresa de distribuição de ureia em Campo Grande, que ainda entrarão em funcionamento e das quais a YPFB é sócia.

Rudel Trindade, presidente da Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás), disse que acompanha o desenrolar de toda a situação a pedido do governo. “Operacionalmente está tudo tranquilo, mas a parte administrativa está caótica. O pessoal daqui não está conseguindo acesso aos escritórios e a parte de documentações está toda parada. Essa é a nossa preocupação”, disse ao Correio do Estado.

Segundo ele, há dificuldades na emissão de um termo necessário para viabilizar o leilão da termelétrica Termopantanal, previsto para março. “Necessitamos com urgência. Temos um prazo a cumprir para entregá-lo”, afirma Trindade.

De acordo com o assessor de gerenciamento de riscos e conformidades da MSGás, Gustavo Alcântara de Cavalho, para que não corra riscos de perder o prazo do leilão, a empresa já está se precavendo. “Para participar do leilão da termelétrica Termopantanal, entre os documentos é preciso enviar um termo de compromisso de suprimento de gás natural. Esse documento deveria vir hoje e ainda não chegou. Mas, para se precaver, foi feito o pedido da prorrogação para o envio dessa documentação para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, explicou.

UFN3

O presidente da MSGás também sondou a situação da UFN3 em Três Lagoas. A planta foi comprada pela russa Acron, que em julho deste ano anunciou sociedade com a estatal boliviana YPFB. Além de fornecer o gás natural (matéria-prima para o funcionamento da fábrica), ela abocanhou fatia de 12% no negócio com opção de ampliar a participação para 30%.

Conforme divulgado pelo governo do Estado, a assinatura do contrato para a continuidade das obras da UFN3, que seriam concretizadas até 30 de agosto, será concluída ainda em 2019. Questionado se a situação política no país vizinho poderia afetar o contrato, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, respondeu, via assessoria de imprensa, que não iria se manifestar.

Rudel Trindade disse que a empresa estrangeira informou que, por enquanto, “tudo está em ordem” com a YPFB e o fornecimento de gás, que segue passando pela fronteira em volumes altos, cerca de 31 milhões de metros cúbicos diários.

CAMPO GRANDE

Outro empreendimento que surgiu em sociedade entre a Acron e a YPFB é a empresa de distribuição e comercialização de ureia, material derivado do gás natural, em Campo Grande. O empreendimento será uma sociedade em que 50% serão da gigante russa de fertilizantes Acron e outros 50% da empresa estatal de energia da Bolívia YPFB.

Conforme a Agência EFE, o acordo foi selado em outubro, com a criação de uma companhia conjunta para vender ureia ao mercado brasileiro. As empresas já haviam chegado a um entendimento em julho, na Rússia. Conforme comunicado da companhia petrolífera boliviana, as empresas têm previsão de vender 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia ao mercado brasileiro, pelo prazo de 20 anos, a contar de 2021.

USINA

Em meio a todo esse entrave político, a empresa Delta Energia anunciou a inauguração da termelétrica de Campo Grande, William Arjona, na quarta-feira (13). As operações da usina estão paradas há dois anos e meio, e agora ela passa a ser chamada de Usina Termelétrica Delta Geração. O anúncio da retomada da geradora foi feito ao Correio do Estado em agosto.

A retomada do empreendimento também traria um incremento no consumo de gás natural do Estado. A termelétrica William Arjona, instalada na Região Urbana do Imbirussu, foi a primeira termelétrica do País a utilizar gás natural do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) para geração de energia, a usina foi inaugurada em 1999 e soma 206,35 megawatts de capacidade de produção.

Fonte: Correio do Estado

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