Radioterapia no interior é ampliada para desafogar Campo Grande

A rede de atendimento a pacientes com câncer no interior de Mato Grosso do Sul ganhará reforço com o credenciamento de dois novos locais – um hospital e  uma clínica, ambos particulares – em Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande, para prestar serviço de radioterapia. A medida faz parte de um plano de cuidado de oncologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Na resolução – publicada no Diário Oficial (DOE) no dia 11 de setembro -, o titular da SES Geraldo Resende e o presidente do Conselho dos secretários municipais de Saúde do Estado (Cosems) Wilson Braga, apontam a necessidade de habilitação de novas unidades que prestam o serviço a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na microrregião que tem mais de 831,3 mil habitantes em onze municípios. O mais populoso é justamente Dourados, com 220,9 mil habitantes. Até então a cidade tinha apenas um serviço de radioterapia para atendimento ao SUS, mas com a mudança passará a ter três – além do Hospital Evangélico, os pacientes também serão atendidos no Hospital Cassems e no Centro de Tratamento de Câncer de Dourados.

“Temos um acúmulo muito grande de pacientes. Os que puderem ir para Dourados, vamos tentar suprir parte do quantitativo. Além das habilitações, estamos implantando o terceiro turno de radioterapia no Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA)”, explicou Resende.

A fila crescente e a falta de vagas para a realização do procedimento são problemas mostrados pelo Correio do Estado em reportagens publicadas desde novembro de 2017.

Mas para o titular da SES a situação se agravou recentemente. “O rompimento da Santa Casa com a Clínica Radius (prestadora de serviço na Capital) fez com que a demanda aumentasse. Estamos tentando estruturar Dourados apra receber mais pacientes, inclusive com vagas em uma casa de apoio. Além disso, a clínica particular tem um equipamento novinho, de última geração e temos uma troca de R$ 750 mil por sessões”, disse o secretário. A compensação é por conta de desconto no pagamento do ICMS do equipamento, com isso a clínica beneficiada (Oncoclínica, que não foi habilitada na publicação da SES) deveria realizar sessões para pacientes do SUS. A Secretaria foi questionada sobre a “permuta”, quantas sessões deveriam ser realizadas para compensar a renúncia fiscal, porém os questionamentos não foram respondidos.

PROBLEMA

Na Capital o atendimento de radioterapia é oferecido somente no HCAA. Enquanto há limitação no serviço, o número de pacientes que aguarda na fila pelo tratamento cresce a cada dia. Levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), atualizado até o dia 16 de agosto, aponta 370 pessoas aguardando vaga para fazer o procedimento na Capital. No dia 30 de julho deste ano eram 277, o que significa que em 18 dias, houve um crescimento de 33,5% na fila de espera.

Em nota, o HCAA informou que desde o dia 2 de setembro chamou 40 novos pacientes para iniciar o tratamento – com equipe e horário de atendimento ampliado (para até 20h). A unidade, que é exclusiva para pacientes com câncer, tem um novo equipamento em operação desde novembro do ano passado (começou a ser instalado em maio de 2017) e atende, em média, 85 pacientes por mês. Porém, por conta da ampliação de estações de trabalho e da equipe médica e física, já havia previsão de expandir a capacidade operacional dos serviços para entre 100 e 130 pacientes por dia.

O motivo do aumento foi justamente o fim do convênio entre a Santa Casa da Capital e a Clínica Radius, empresa terceirizada que fazia o atendimento de radioterapia. Reportagem publicada pelo Correio do Estado no dia 17 de agosto mostrou que a possível solução para diminuir a fila de espera, proposta pela SES, é de que os pacientes viajem até Dourados para fazer a radioterapia, já que na cidade a demanda é baixa.

A vaga é oferecida, mas a escolha é do paciente, porém, a Prefeitura de Campo Grande não oferece nenhuma hospedagem ou subsídios, além de transporte. Cada tratamento requer diferentes doses de radioterapia, que deixa o paciente debilitado, então faz-se necessário a estadia e uma companhia durante o tempo que ele ficar na cidade para o tratamento.

Até agora, de acordo com a Coordenadora do Conselho Municipal de Medicina da Capital, Maria Auxiliadora Fortunato, nenhum paciente foi até Dourados para fazer o tratamento ainda.

Pacientes que estão na fila de espera há mais de 60 dias podem receber até R$ 60 mil por danos morais, devido a sentença proferida pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Capital.

Fonte: Correio do Estado

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