7 de maio de 2026

Estrangeiros investiram R$ 9,5 bilhões em MS

De 2003 até o segundo trimestre deste ano, Mato Grosso do Sul ficou em oitavo lugar entre as unidades da Federação que concentram investimento estrangeiro direto injetado por empresas de cinco países (Estados Unidos, China, Japão, França e Itália) no Brasil e contabilizou US$ 2,51 bilhões em aportes para um total de sete grandes empreendimentos, o equivalente a R$ 9,54 bilhões.

As informações fazem parte da segunda edição do Boletim de Investimentos Estrangeiros – Países Selecionados, publicação da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), referente ao período de abril a junho deste ano. O primeiro número, com dados do período de janeiro a março de 2019, havia sido lançado em abril pelo Ministério da Economia.

De acordo com o boletim, dos projetos confirmados para o Estado, quatro são dos EUA, somando também o maior volume de investimentos, US$ 1,62 bilhão, ou 65% do total. Em seguida, figura como principal país investidor em MS a China, com dois projetos no valor de US$ 832,8 milhões. Por fim, vem o Japão, com investimentos de US$ 51,4 milhões em um único projeto. França e Itália não tiveram projetos confirmados no Estado.

Praticamente todo o investimento estrangeiro chinês tem como origem o BBCA Group, que deve inaugurar até o fim deste ano uma esmagadora de milho em Maracaju. Até o fim de 2019, a unidade produtora de óleo de milho (investimento de R$ 100 milhões) deve ser inaugurada. Para o próximo ano, deve ser concluída a maior parte do projeto, em que serão produzidos subprodutos químicos do milho, como dextrose, lisina, amido de milho, xarope de maltose e plástico PLA.
Com o resultado desta publicação, Mato Grosso do Sul manteve a posição do trimestre anterior. No entanto, no segundo trimestre deste ano, não foram identificados projetos e investimentos destinados ao Estado.

Os números não computam o investimento de aproximadamente R$ 3,5 bilhões na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas – inicialmente implantada pela Petrobras, mas que está em fase de aquisição pela russa Acron.

DESEMPENHO NO PAÍS

Segundo o levantamento, a maioria dos investimentos dos cinco países selecionados no período no Brasil foi destinada a empreendimentos nas regiões Sudeste e Sul, com predominância destacada do estado de São Paulo (34%), seguido pelo Rio de Janeiro (6%) e por Minas Gerais (4%).

Entre 2003 e o segundo trimestre de 2019, o número de projetos de empresas dos EUA no Brasil correspondeu a 45% do total dos cinco países. Os investimentos japoneses vêm em seguida, com 20% do total levantado.

Em termos de valor, as aplicações dos EUA no período somaram US$ 81 bilhões, número próximo ao dos investimentos chineses, que totalizaram US$ 79 bilhões. Em sequência, estão as aplicações japonesas, que representam US$ 35 bilhões; as francesas, com US$ 30 bilhões; e as italianas, com US$ 21 bilhões.

No boletim, a Camex chama a atenção para o aspecto de que nesse período, desde 2003, apenas 14% dos investimentos desses cinco países tenham sido em novas unidades produtivas.

Ainda conforme informações da secretaria especial do Ministério da Economia, o boletim resulta de um “trabalho de coleta de informações em fontes variadas na imprensa e em bases de dados e, portanto, podem não refletir com exatidão todos os investimentos desses países no Brasil”.

Para o segundo semestre, Brasil terá 36 projetos 

No segundo trimestre de 2019, foram identificados 36 projetos de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil, provenientes de 22 empresas dos cinco países selecionados. Do total de projetos, 28 são investimentos confirmados com valor aproximado de US$ 15 bilhões. Quando considerados também os investimentos anunciados e ainda sem confirmação, o valor total sobe para US$ 17,9 bilhões.

Em termos de valores de investimentos confirmados, a França foi o país que mais se destacou no trimestre (US$ 8,6 bilhões), seguida por Itália (US$ 4,2 bilhões) e Japão (US$ 2 bilhões). A China e os EUA apresentaram os menores números, com US$ 213 milhões e US$ 131 milhões em investimentos, respectivamente.

Em projetos confirmados, entre os cinco países, Japão e EUA foram os que fizeram o maior número de anúncios, totalizando sete investimentos cada, no período analisado. França e Itália confirmaram seis projetos cada um. A China, apesar de ter anunciado quatro investimentos, confirmou apenas dois projetos até agora.

Quanto à distribuição das aplicações confirmadas por setores produtivos, a indústria (com 10 projetos), eletricidade (3 projetos), telecomunicações (3 projetos) e serviços financeiros (3 projetos) representaram quase 70% dos setores de destino dos investimentos anunciados pelos cinco países neste segundo trimestre.

Os demais setores receptores de aplicações neste trimestre foram: transporte (2 projetos); esportes e cultura (2 projetos); agropecuária (1 projeto); pesquisa e consultoria (1 projeto); serviços (1 projeto); educação (1 projeto); e saúde (1 projeto).
Em relação aos estados de destino das aplicações, 15 projetos serão realizados em São Paulo, o que representa 53% dos investimentos confirmados. Em Minas Gerais, houve a confirmação de 2 projetos. Bahia, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram destinos de 1 projeto cada. Por fim, 3 projetos foram confirmados em mais de um estado e 2 projetos não tiveram a divulgação do estado de destino.

METODOLOGIA

Conforme a publicação da Camex, investimentos confirmados são aportes de recursos direcionados a empreendimentos no Brasil, cuja informação seja passível de confirmação por mais de uma fonte de dados, incluindo páginas institucionais de empresas ou instituições diretamente envolvidas.

Investimentos anunciados são anúncios formais de investimentos futuros, que passam a ser acompanhados pelo mercado e por instituições interessadas. Quando um investimento que havia sido computado no grupo dos anunciados é confirmado, seu valor sai desse grupo e passa a compor o grupo dos confirmados. A metodologia aplicada é a mesma desenvolvida para mapear os investimentos diretos chineses, que foram divulgados em sete edições até o fim de 2018. É um trabalho de coleta de informações em fontes variadas na imprensa e em bases de dados não oficiais.

Fonte: Correio do Estado

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