2 de outubro de 2026

Faturamento da CCR em 5 anos atinge R$ 943 milhões

A CCR MS Via não cumpriu o contrato de concessão assinado há cinco anos, mas faturou R$ 943 milhões com a cobrança de pedágio na BR-163. Investigado na Operação Lava Jato pela Polícia Federal por pagar propina a políticos tucanos de São Paulo, o grupo exige a revisão do acordo para continuar com a concessão e deixou mais longe o sonho da duplicação total da rodovia, a principal de Mato Grosso do Sul.

Desde a assinatura do contrato, em 11 de março de 2014, a CCR só duplicou 150,4 dos 845,4 quilômetros da BR-163. A maior parte, 89 quilômetros, foi duplicada para garantir a cobrança do pedágio, uma das principais exigências do acordo assinado pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Desde o início da cobrança, que rendeu R$ 943 milhões aos cofres da concessionária, a CCR MS Via reduziu o ritmo das obras de duplicação e os investimentos. No ano passado, conforme o balanço publicado nesta sexta-feira, a empresa investiu R$ 146,6 milhões, redução de 45,2% em relação a 2017, quando foram aplicados R$ 267,4 milhões.

O montante é o menor desde 2015, quando a companhia investiu R$ 637,7 milhões para duplicar o mínimo exigido para iniciar a cobrança da tarifa dos veículos. O deságio de 52% praticamente sumiu com os três reajustes ordinários e cinco extraordinários autorizados pelo Governo federal.

Desde então, a CCR só recebe o bônus pela concessão. No ano passado, o faturamento com a cobrança do pedágio teve aumento de 9%, passando de R$ 269,3 milhões para R$ 293,6 milhões. O aumento é reflexo do movimento extraordinário de caminhões no escoamento da safra de grãos.

No entanto, a arrecadação recorde ainda é de 2016, quando o total obtido foi de R$ 291,8 milhões. No total, a receita com pedágio é de quase R$ 1 bilhão, exatamente R$ 943,946 milhões.

A receita da CCR teve redução de 18,5% no ano passado em relação a 2017, de R$ 501,9 milhões para R$ 408,8 milhões. Em cinco anos, o faturamento é de R$ 2,390 bilhões. O valor é superior ao total investido, R$ 1,7 bilhão, sendo que praticamente todo o valor é proveniente de financiamento do BNDES e da Caixa Econômica Federal.

A CCR MS VIA EM NÚMEROS

Receita com pedágio
2018 R$ 293,6 milhões (+9%)
2017 R$ 269,3 milhões
2016 R$ 291,8 milhões
2015 R$ 89,1 milhões
Faturamento total
2018 R$ 408,8 milhões (-18,5%)
2017 R$ 501,9 milhões
2016 R$ 750,5 milhões
2015 R$ 580,2 milhões
2014 R$ 149,5 milhões
Lucro/prejuízo
2018 R$ 13,9 milhões (-66,3%)
2017 R$ 41,2 milhões
2016 R$ 57,6 milhões
2015 R$ – 11,7 milhões
2014 R$ – 14,3 milhões

Aliás, o fim dos empréstimos subsidiados, ainda na gestão de Dilma, é a principal causa do impasse entre a concessionária e a ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres). A empresa pediu a revisão do contrato, mas o pedido foi negado pela agência.

A CCR MS Via recorreu à Justiça Federal do Distrito Federal e conseguiu liminar que lhe desobriga de cumprir o contrato firmado em 2014. Com a decisão, a ANTT não pode multá-la e as obras de duplicação estão praticamente paradas.

A luta da concessionária é para manter a cobrança do pedágio sem a contrapartida de duplicar a rodovia em cinco anos. Na prática, a duplicação da BR-163, um sonho antigo dos moradores de Mato Grosso do Sul, corre o risco de não sair do papel tão cedo.

A empresa e a ANTT tem até o início do próximo mês para chegar a um acordo e apresentá-lo à Justiça Federal. Caso haja rompimento do contrato, a CCR pode ganhar R$ 1,8 bilhão do Governo federal, conforme estimativa.

Fonte: Correio do Estado.

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