Apenas 10% dos hipertensos fazem controle adequado da doença

Apenas 10% dos cerca de 30 milhões de brasileiros hipertensos fazem o acompanhamento adequado da hipertensão, doença que está relacionada a mais de 300 mil mortes por ano no país, segundo o Ministério da Saúde.

Pela mesma matemática, são 820 óbitos diários que de alguma forma estão ligados à hipertensão. Ou seja: são 30 óbitos por hora ou uma a cada 2 minutos. Na Capital, segundo a pesquisa Vigitel 2017, 26,2% da população adulta é diagnosticada com hipertensão da rede pública – aproximadamente 54 mil hipertensos cadastrados nos postos de saúde.

Com números tão impressionantes, não é a toa que a luta contra a hipertensão tenha data própria: 26 de abril, nesta sexta-feira, quando o “Dia de Prevenção e Combate à Hipertensão” é celebrado.

As ações para combater a doença refletem-se basicamente no número de consultas: somente em 2018, 122.394 consultas médicas e 26.140 consultas de enfermagem para pacientes hipertensos foram realizadas, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Ainda segundo a pasta, só no primeiro três meses deste ano, aproximadamente 42.900 hipertensos tiveram consultas nos postos de saúde de Campo Grande.

O que é?

A hipertensão é uma doença crônico-degenerativa que ocorre quando a medida da pressão se mantém frequentemente acima de 140 por 90 mmHg. É o fator mais comum para o desenvolvimento de outras cardiopatias que podem ser fatais, como a Doença Arterial Coronariana (DAC), Doença Renal Crônica (DRC), Retinopatia Hipertensiva e Insuficiência Vascular Periférica.

Além disso, a hipertensão também está associada à ocorrência de AVC (Acidente Vascular Cerebral), enfermidade cada vez mais comum, principalmente quando há associação a fatores de riscos e hábitos não saudáveis, como obesidade, sedentarismo e tabagismo.

O médico generalista, Ronaldo de Souza, da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de MS) explica que a doença gera consequências quando há lesões crônicas, degenerativas e progressivas, ou seja, quando não é feito o diagnóstico e não é instituído o tratamento.

 

 

 

“As terminações vasculares arteriais, que possuem muita fragilidade, se rompem e os órgãos e tecidos que são irrigados por estas terminações vasculares, denominados capilares, se rompem sob pressão elevada, deixam de receber oxigênio e nutrientes, causando o sofrimento lento e progressivo destas estruturas do nosso corpo”, aponta.

De acordo com o médico, o histórico familiar de hipertensão arterial é comum em 90% dos casos. “Além do determinismo genético, a herança familiar de cada um, o modo de vida das pessoas pode ser fator desencadeante ou agravante para surgimento da hipertensão arterial”, aponta.

Onde tratar

De acordo com a Sesau, todas as 78 UBS (Unidades Básicas de Saúde) e UBSF (Unidades Básicas de Saúde da Família) podem fazer acolhimento de pacientes com sintomas de hipertensão. O paciente tem acesso a medicamentos, apoio diagnóstico e laboratorial, tratamento de complicações e consulta com equipe multidisciplinar.

Todas as 78 unidades da Atenção Básica acolhem pacientes com hipertensão (Foto: Divulgação | Sesau)

Dentre os serviços gratuitos disponíveis, estão o acesso ao Núcleo Ampliado de Saúde da Família na Atenção Básica (NASF-AB) e outros serviços como encaminhamento para atendimento especializado e internação hospitalar, quando necessário.

Há, inclusive, um programa específico voltados a esse público durante todo o ano, o Hiperdia (Programa de Hipertensão e Diabetes), que tem como objetivo promover o acompanhamento, tratamento contínuo e o controle da pressão arterial e de fatores de risco associados, por meio da modificação do estilo de vida e/ou uso regular de medicamentos.

Prevenção

O melhor caminho contra a hipertensão, no entanto, ainda é a prevenção. Segundo Souza, a doença pode ser evitada com medidas básicas. “É importante comparecer ao serviço de saúde e medir a pressão pelo menos duas vezes ao ano, praticar atividades físicas todos os dias, buscar manter o peso ideal, adotar uma alimentação saudável com pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes. Também, reduzir o consumo de álcool e se possível, não beber”, considera.

Outra recomendação fundamental do generalista para evitar a patologia é abandonar o uso de cigarros, evitar estresse e preservar tempo para os amigos, a família e o lazer, pois a pressão arterial é um reflexo da qualidade de vida do indivíduo. Para aqueles que já possuem a doença, a dica do profissional é visitar o cardiologista com a devida frequência.

“Por último, se já for hipertenso, nunca pare o tratamento, pois é para a vida. Siga sempre as orientações do seu médico ou profissional da saúde”, conclui.

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