Polícia rastreia ameaças em escolas; autores podem ir para a cadeia

Desde o massacre em Suzano (SP), ameaças de repetir o ato em escolas Mato Grosso do Sul parecem ter virado a principal brincadeira entre os adolescentes. Só na quarta-feira (10), foram registrados dois casos na Capital. O que muitos não sabem, é que a atitude é crime e pode levar à prisão.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), Ariene Nazareth Murad de Souza, pelo menos oito casos são alvo de investigação no Estado, na maioria deles, os autores já foram identificados. “Existem casos que são caracterizados como uma contravenção penal, denominada provocação de alarma, mas uma ameaça mais direta pode configurar apologia ou incitação a crime, o que é passível de internação, no caso de autor adolescente, ou prisão, quando referente a adultos”, explica.

Segundo a delegada, a explicação para a reincidência de casos está na repercussão que ganham na mídia, além da superestimação dos fatos. “Esses adolescentes fazem isso justamente para causar tumulto. Eu fico muito preocupada com a repercussão que fazem em cima disso, porque acaba, de certo modo, incentivando. Aí, superestimam um fato que, sim, é conduta de crime, mas, muitas vezes, não passa de uma brincadeira de mal gosto”, considera.

Para a especialista em educação, Angela Costa, com a internet ao alcance das mãos, sem qualquer filtro ou orientação dos pais, os jovens estão banalizando a morte, o que leva as “brincadeiras” de ameaças. “Estamos vivendo numa sociedade muito largada, muito jovem jogado a próprio sorte e mais a questão da internet, de terem acesso direto as informações, dependendo da personalidade da pessoa, ela começa banalizar a morte”, explica.

Apesar do número de casos investigados, para a polícia não há motivo para alarde. “Não há indícios concretos em qualquer caso de que as ameaças iriam se concretizar. Não há indícios de arma de fogo, explosivo, nem tratativas para nenhum ataque”, disse a delegada.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Educação (SED) afirmou que acompanha todos os casos registrados pelas unidades escolares da Rede Estadual de Ensino (REE) e trabalha junto aos diretores, com orientações e guias acerca dos procedimentos a serem adotados. “As ações consistem no diálogo com os estudantes, aproximação com os pais e/ou responsáveis e, ainda, acompanhamento da SED por intermédio das Coordenadorias de Gestão Escolar (Coges) e de Psicologia Educacional (CPED), quando necessário”, informa a secretaria.

Ainda conforme a Secretaria, quando  um caso é registrado em ambiente escolar, a obrigação da escola é avisar aos pais e encaminhar informações aos órgãos de segurança pública.

AMEAÇAS

Na quarta-feira (10), a polícia foi chamada na escola Hércules Maymone, no bairro Itanhangá Park, pois havia um roteamento Wi-fi com o nome “MASSACRE HERCULES ÀS 20:30”. Funcionários e alunos entraram em pânico, mas a polícia, com a ajuda de um aplicativo, identificou o aluno que imediatamente confessou o ato e disse que escreveu “em tom de brincadeira”. Ele teve o celular apreendido e foi liberado.
Já na escola Paulo Freire, no bairro Chácara Cachoeira, um aluno do sétimo ano informou a um colega que estaria planejando um massacre. Segundo testemunhas, o menino já teria uma lista com o nome de alguns professores e alunos da escola e afirmou que usaria a arma do pai para realizar o ato. Ele foi suspenso.

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