Catástrofe desperta solidariedade do outro lado do Atlântico

Mais de 700 mortos, milhares de desabrigados. Uma conta que só aumenta e resulta na subtração de vidas. Os desastres mundo afora não costumam estampar as folhas do Correio B, mas diante de um número de vítimas crescente, não há como não voltar os olhos e o coração à África.

Do dia 14 para o dia 15 de março, cerca de 10 dias atrás, o ciclone tropical Idai chegou provocando chuvas e ventos de mais de 170 km/h em Moçambique e seguiu para o Zimbábue e Malaui. São milhares de pessoas sem casa, comida e água potável. Só em Moçambique, por exemplo, a zona afetada passa dos 3 mil quilômetros quadrados, o que representa um desastre sem precedentes.

Apesar da distância geográfica e do pouco noticiado em relação a outras tragédias, há quem esteja em Campo Grande buscando formas de ajudar as vítimas.

“É o que eu sinto, apesar de estar tão longe, é a gente, é o nosso povo que está lá”, enxerga a funcionária pública Luciana Terra, 48 anos. Luciana já é superenvolvida nas causas sociais, como coordenadora estadual do projeto Mini Gentilezas, madrinha da Fraternidade sem Fronteiras e colaboradora do programa Médico sem Fronteiras. “Eu estou muito apreensiva, já contribuo mensalmente e fiz até doações extras, porque a gente sabe que eles não dão conta de atender a essa demanda gigante”, compartilha. Angustiada, ela diz que gostaria de estar fazendo mais. “Nós nos sentimos impotentes diante de um negócio tão grande, mas, se cada um fizer um pouquinho, dá um montão”, resume.

Advogada, Ellen Braga da Costa, 33 anos, questionou o envolvimento e a comoção das pessoas e se havia na Capital algum ponto de coleta para doações de materiais. Desde pequena, ela tem o sonho de trabalhar na ajuda humanitária voluntária na África. “É muito revoltante porque parece que eles são invisíveis aos olhos da sociedade não só brasileira, mas mundial. Se a terra não produz nada de efeito não precisa de ajuda humanitária? Todo mundo fica quieto”, reflete.

TESTEMUNHA 

Jornalista da Record, Fábio Menegatti é um dos poucos repórteres, se não o único brasileiro enviado para a região. Fábio já trabalhou em Campo Grande (MS) e de Beira, cidade de Moçambique mais atingida pelo ciclone, relata a tristeza que vai muito além dos números. “Comida como conhecemos, com algumas refeições por dia, que já não existe para os mais pobres, agora atinge muitos outros, milhares de desabrigados. No abrigo que visitei, é uma vez por dia, sem hora marcada, mas na hora em que dá para servir. Mães com seus filhos padecem já por fraqueza própria e também por ver suas crianças de barriga vazia. O mundo por aqui deu sua pior face, mostra sua força mais cruel. Uma grávida de seis meses com quem conversei ontem passava mal, ao sol, ela estava com náuseas, dores. Ali, duas vidas pareciam escapar deste mundo cheio de erros”, escreveu em um texto para o portal R7.

CAMPANHA

Foram vários questionamentos à organização humanitária – nascida em Campo Grande – Fraternidade sem Fronteiras se haveria uma campanha específica para a região. Moçambique é o primeiro país onde a fraternidade atua, há 10 anos.

Lá a organização teve um centro de apoio atingido, na aldeia de Dondo, para onde as doações daqui levam alimento para 150 crianças. “O centro de Dondo está totalmente destruído e nossa ideia agora é angariar fundos para a gente reconstruir”, fala a assessora de imprensa da fraternidade, Kamila Lovizon.

Aberta nesse fim de semana que passou, além de reconstruir o centro, a campanha quer enviar o dinheiro doado para organizações parceiras que estejam atuando na região. “O que nos segura um pouco nas ações é que a fraternidade não tem uma estrutura na localidade [atingida pelo ciclone] para darmos um grande apoio. Não temos recursos financeiros para enviar doações materiais, como alimentos, mas vamos ajudar organizações locais”, sustenta Kamila.

COMO AJUDAR 

Uma aldeia em que a Fraternidade sem Fronteiras atua, Dondo, foi destruída pelo ciclone. Moçambique sofre um enorme dano. A organização humanitária está recebendo doações em dinheiro para reconstruir a unidade apoiada pela fraternidade e auxiliar parceiros locais que estão na linha de frente no amparo à população. As contas da fraternidade são:

– Banco do Brasil
Agência: 5783-5
Conta-corrente: 26224-2

– Banco Bradesco
Agência: 3408-8
Conta-corrente: 22109-0

– Banco Itaú
Agência: 0091
Conta-corrente: 53286-1
CNPJ: 11.335.070/0001-17

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