“Tem homem que não sabe que xingar é violência”, ensina juíza em projeto

Cerca de 120 funcionários de canteiro de obras em Campo Grande começaram o dia ouvindo palestra sobre violência contra a mulher, ação que faz parte da agenda da 13ª Semana da Paz em Casa, da Coordenadoria Estadual da Mulher. O público alvo são os homens, responsáveis pela maioria dos casos de violência contra mulher.

“Muitos nem sabem que xingar a mulher já é um tipo de violência”, explicou a juíza Jacqueline Machado, responsável pela Coordenadoria. Hoje, no canteiro de obras do Residencial Itagi, no bairro Rita Vieria, além da juíza, uma psicóloga e uma assistente social revezaram-se durante a palestra para explicar os tipos de violência contra a mulher.

“A ideia aqui não é separar casais, quer que vocês tenha relação respeitosa”, disse a magistrada. Outro exemplo de violência, a patrimonial, usar da administração dos bens para manutenção do poder na relação e até quebrar móveis e utensílios dentro da casa da família, também não é muito conhecida dos homens.

Palestra no canteiro de obras de residencial (Foto: Mirian Machado)Palestra no canteiro de obras de residencial (Foto: Mirian Machado)

Durante a palestra, alguns homens perguntaram quais os critérios para a medida protetiva e questionaram que, algumas vezes, as mulheres podem mentir para garantir a proteção.

“Como juíza eu tenho que dar a proteção de imediato, não posso esperar alguma coisa acontecer”, disse Jacqueline, explicando que posteriormente o fato é investigado e, se necessário, a medida é revogada. Segundo a magistrada, há 3,5 mil medidas em vigor atualmente em Campo Grande.

O presidente do Sintracom (sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande), José Abelha Neto, as palestras são importantes para conscientizar os homens sobre a violência. “O problema não é só a pessoa ser detida, mas tudo que envolve, dentro de casa, a família, a mulher, os filhos”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here