14 de janeiro de 2026

“Corpos sem nome” ou abandonados pela família lotam salas do Imol

“A capacidade da câmara fria é em torno de 24. A situação já está beirando os 40, com 10 não identificados”. Assim resume o diretor do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) Carlos Idelmar de Campos Barbosa, sobre a situação dos corpos armazenados no Instituto.

O diretor trabalha cercado de papeis na mesa, registros de liberação de corpos que um dia foram pessoas, tiveram famílias e memórias. No Imol, no entanto, acumulam-se no espaço restrito, congelados em temperatura que variam de -5 a -10 graus. Dos cerca de 40, muitos ali estão porque ultrapassaram o tempo para que as famílias viessem buscá-los, ou porque não têm nenhuma identificação, caso de 10 corpos dessa lista. Alguns estão há meses, outros há um ano.

Mas um, em específico, chamou a atenção do Instituto e, depois do caso circular em rede nacional, de todo o Brasil. Trata-se de Lourival, armazenado na câmara fria desde outubro de 2018, porque descobriu-se ter corpo de mulher. Lourival Bezerra Sá faleceu aos 78 anos em Campo Grande em decorrência de um infarto e assim descobriu-se uma diferença de gênero, já que viveu como homem por boa parte da vida.

O impasse é que ninguém sabe o nome de registro de Lourival e dessa forma, não pode ser enterrado. Agora, a Defensoria Pública entrou no caso e ajuizou o pedido de sepultamento do corpo com a identidade masculina.

É o caso que chama a atenção do diretor do Imol sobre “histórias emblemáticas” dos corpos na câmara fria. “História emblemática é essa mesmo, do cara que passou a vida toda falando que era homem e no fim era mulher”, diz.

Por ali também já ficaram, por muito tempo, as ossadas das vítimas de “Nando”, encontradas no “cemitério” clandestino do Danúbio Azul. Graças a uma força-tarefa de identificação, nenhuma vítima repousa, hoje, no Instituto.

Diretor do Imol, Carlos Idelmar (Foto: Marina Pacheco)Diretor do Imol, Carlos Idelmar (Foto: Marina Pacheco)

Carlos explica a situação dos corpos congelados. “São corpos, por exemplo, que foram identificados, mas que a Justiça não liberou ainda, porque o processo não terminou e a Justiça entende que precisa do corpo aqui porque se precisar de alguma prova, posteriormente, o corpo está intacto porque está congelado”.

“Então a gente tem esse problema. Nós estamos procurando o juiz, a Justiça, para poder liberar a inumação, que é o enterro desses corpos, para diminuir essa quantidade que está na câmara fria, porque está começando realmente a ficar lotado. Como eu disse, tem perto de 40 corpos lá, então daqui a pouco não cabe mais”, explica.

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