Em quatro dias de Carnaval, Samu atendeu mais de 120 adolescentes

Nos quatro dias de carnaval a equipe do Serviço de Atendimento de Urgência Móvel (Samu) atendeu mais de 120 adolescentes. Em todas as ocorrência, eles estavam alcoolizados e muitos entraram em coma devido ao excesso de bebida.

De acordo com o Samu, a equipe recebeu mais de 200 pedidos de socorro, porém, como os alcoolizados não conseguiam informar o local onde estavam, o atendimento ficou comprometido. Mas, mesmo assim, o Samu não “perdia” a viagem e acabava socorrendo algum, no meio do caminho. As ocorrência iam desde esfaqueados resultante de brigas, machucados e alcoolizados.

Equipes do Samu reclamaram também que foram hostilizados e teve ocasião em que a ambulância chegou a ser apedrejada no momento em que eles iam atender uma chamada de socorro. Em outros momentos, a pessoa que seria ajudada, recusava atendimento dos socorristas e teve situação em que a equipe foi recebida com empurrões e tapas. Foi necessário chamar reforço de policiais militares para que alguns atendimentos acontecesse com sucesso.

Na Esplanada Ferroviária, local em que foi preparado para blocos de Carnaval se apresentarem durante os quatro dias de festa, após Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Ministério Público Estadual (MPE), Prefeitura de Campo Grande e os blocos Capivara Blasé e Cordão da Valu, foi montado um mini hospital pela prefeitura em parceria com equipe do Samu. A informação é de que quase todos os atendimentos eram adolescentes alcoolizados.

MORTE

Adolescente de 15 anos faleceu na madrugada desta quarta-feira (5), aproximadamente, às 3h, e a suspeita é de que ela tenha entrado em coma alcoólico. Equipe do Corpo de Bombeiros foi atender ocorrência no Bairro Nova Campo Grande, mas não conseguiu reanimar a adolescente. No meio do atendimento, a equipe pediu reforço para o Samu, porém, os médicos não conseguiram reanimar a vítima que veio a óbito antes de chegar no hospital.

Informações preliminares é que a menor estava bebendo com amigos e, aproximadamente, às 3h o socorro foi acionado. O corpo da adolescente ainda está no Instituto Médico Legal (IML).

A conselheira do Conselho Tutelar em Campo Grande, Cassandra Szuberski, disse que se sente impotente em relação a esses casos. “Não conseguimos dar conta… são mais de 40 mil pessoas. Deixo a pergunta: será que vale a pena pular o Carnaval da morte?”, indagou ela.

LEI

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 24 de fevereiro de 2015 o projeto de Lei 5.502/2013, do Senado Federal, que tipifica como crime, no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), a venda e o fornecimento de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. A matéria foi sancionada pela então presidente da República Dilma Roussef (PT). A pena é de dois a quatro anos de detenção e multa.

No último dia de carnaval, 5 de março, durante apresentação do bloco da Valu, a estimativa de público era de 40 mil pessoas e segundo informações da Guarda Municipal, o efetivo era de 70 homens, oito viaturas, drone, ônibus Plano Crack com Câmeras auxiliando na segurança e 35 agentes de segurança privada.

Registros de ocorrência registrados pela Guarda foram de dez pessoas com alcoolemia, e dentre elas, seis eram menores de idade. Além de registro de tráfico de drogas, e 21 abordagens de suspeitos.

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