Funai publica estudo que demarca 24 mil hectares de terras em área indígena

Prefeituras, Sindicatos e Associações se unem para impedir transformação de 140 quilômetros quadrados em aldeia Guarani

Um verdadeiro clima de medo tomou conta das comunidades de Guaíra e Terra Roxa, com a publicação de um Decreto da Funai demarcando uma área que totaliza 24 mil hectares de terras produtivas,  prevendo desalojar centenas de produtores para criação de uma grande aldeia dos povos Ava-Guarani. A área demarcada atinge 140 quilômetros quadrados e atinge até áreas urbanas de Guaíra.

Os prefeitos, vereadores, sindicatos e associações com apoio de deputados e das comunidades se uniram para barrar a demarcação, que pode arruinar a economia das cidades. O prefeito Heraldo Trent pediu calma para a comunidade e declarou que o prazo para contestação é de 90 dias.

Para justificar o Decreto, a Funai publicou  Resumo de Relatório de Identificação e Delimitação de Reconhecimento de Estudos de Identificação de Terras Indígenas Tekoha Guarani Guavira, de Ocupação Tradicional do Povo Indígena Ava-Guarani nos municípios de Altônia, Guaíra e Terra Roxa.

O Processo prevê demarcação da  Gleba 1 com 1.396 hectares. Gleba 2 com 17.025 hectares e área de ilhas com 5.607 hectares. O perímetro aproximado Gleba 1 é de 32 quilômetros e da Gleba 2 é de  107 quilômetros nas cidades de Guaíra, Altônia e Terra Roxa e deve beneficiar população estimada de 1.360 indígenas.

Para justificar o relatório que pede a demarcação, os antropólogos declararam que existem indícios da presença dos indígenas na região desde 1530 e um censo de 1587 que declarava que existiriam 200 mil índios guaranis na região de Guaíra. Segundo o estudo no século 19 uma farta documentação prova que  a Companhia Mate Laranjeira explorava mão de obra indígena nos ervais e muitos foram transferidos para os ervais de Mato Grosso do Sul.

Ainda segundo o relatório a construção  da Itaipu teria agravado a situação com “a  limpeza da área” quando muitos índios teriam sido removidos, e na Era Vargas de 1930 a 1960 teria existido um período de grilagem e expulsão dos índios de suas terras, sendo que  e no período de 1956 a 1960 o governador Moysés Lupion criou uma período de titulação ilegal de terras dos índios a produtores brancos.

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